Associação apresenta queixa-crime contra youtuber Numeiro

A Associação Portuguesa de Apostas e Jogos Online (APAJO) apresentou esta quinta-feira uma queixa-crime contra o youtuber João Barbosa, mais conhecido como Numeiro. Em causa está a divulgação do...

A Associação Portuguesa de Apostas e Jogos Online (APAJO) apresentou esta quinta-feira uma queixa-crime contra o youtuber João Barbosa, mais conhecido como Numeiro. Em causa está a divulgação do site de apostas ilegal “Vem Apostar”, também visado na denúncia, num evento em que o influenciador se vai estrear como boxer.

João Barbosa vai combater esta sexta-feira, pelas 21 horas, no Campo Pequeno, em Lisboa, frente ao pugilista búlgaro Kalin Simeonov e tem apelado aos seguidores – mais de meio milhão só no Instagram – para que apostem, entre quem vai vencer o duelo, no site “Vem Apostar”, que não tem licença atribuída pelo Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos (SRIJ), condição necessária para qualquer operador oferecer jogos e apostas online em Portugal.

“Este combate exibiu no cartaz, no site dedicado à sua promoção [Duel Boxing] e até na sua conferência de imprensa [que decorreu esta quinta-feira no Lisbon Marriot Hotel] a imagem de um operador ilegal aberto ao registo de menores. Além disso, um dos intervenientes do combate promoveu nas suas redes sociais a existência de apostas no mesmo operador sem licença em Portugal, que, ainda assim, é regularmente promovido por este influenciador e que apresenta métodos de pagamento portugueses como MBWay e Multibanco”, disse, esta quinta-feira, ao JN, o presidente da APAJO.

Ricardo Domingues recordou que a guerra contra o jogo ilegal precisa de ser uma prioridade em Portugal. “Os estudos mostram que, pelo menos, 40% dos portugueses continua a apostar nestes ambientes, sem salvaguardas de proteção ao consumidores, que fogem à contribuição fiscal e ficam expostos à manipulação de resultados”, acrescentou, lembrando que as autoridades “precisam de ser mais interventivas” e que “há um trabalho indispensável a fazer de consciencialização dos portugueses e de agentes económicos que contribuem para o jogo ilegal”.

Ainda há cerca de dois meses, numa audição realizada na Comissão de Economia, Obras Públicas, Planeamento e Habitação, o presidente da associação – que tem como associados a Betclic, Bwin, Estoril Sol, Casino Portugal, Solverde, Betano e como afiliados a Pokerstars e a Bacanaplay – defendeu a eliminação de meios de pagamento nacionais em sites ilegais de apostas e uma maior eficácia no bloqueio destes operadores em motores de pesquisa na Internet.

“Se conseguirmos excluir os meios de pagamento tipicamente portugueses – MBWay e multibanco -, estamos a permitir que os fundos não cheguem a estes sites ilegais e estamos a resolver o problema da legitimação. Os pagamentos são um primeiro passo; o segundo passo é conseguirmos melhorar o bloqueio que existe de URL’s. O que existe hoje não é, de todo, eficiente e está datado”, salientou, na altura, Ricardo Domingues, lamentando que os motores de busca acabem por “legitimar sites ilegais”.

Atualmente, apenas 17 entidades licenciadas pelo SRIJ estão autorizadas a explorar jogos e apostas online em Portugal. A lista pode ser consulta aqui. Na sua página de Internet, o regulador alerta que, ao jogar em websites ou locais que oferecem jogo ilegal, os utilizadores estão a comprometer o seu dinheiro, os seus dados pessoais, ser vítima de fraude e até, sem o saber, colaborar com organizações criminosas.

Polémicas

Esta não é a primeira vez que o youtuber promove sites de apostas ilegais. Em setembro de 2021, publicitou a “Bettilt” nas suas redes sociais por via de um passatempo no Instagram, através do qual pretendia oferecer três iPhones 12 Pro aos seus seguidores. Nesse mesmo ano, dois meses antes, João Barbosa também encerrou a consultora de apostas desportivas Dynasty Bet Consulting, que detinha e através do qual vendia prognósticos de futebol a troco de centenas de euros, após acusações de fraude. Já antes, e no Telegram, “Numeiro” tinha publicitado a “1XBET”, entretanto encerrada.

Mais recentemente, e já a propósito deste combate, que tem a chancela da Federação Portuguesa de Boxe, Numeiro chegou a anunciar o sorteio de um Ferrari. Para ficarem automaticamente inscritos, os seguidores tinham de comprar no site do evento um bilhete, por 9,99 euros, para assistir à transmissão online do embate com o búlgaro.

No entanto, esta quinta-feira, João Barbosa voltou a frisar que “ficou impossibilitado de fazer o concurso publicitário” por ter sido “alvo de hackers” e garantiu que “toda a gente foi reembolsada”. “Acredito que 95% das pessoas já receberam tudo no banco. Se houver mais atrasos, terá que ver, certamente, com os bancos”, disse, sublinhando que “era um ponto que precisava de esclarecer, para deixar as pessoas tranquilizadas”.

O JN pediu, esta quinta-feira, informações sobre o concurso publicitário à Secretaria Regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública dos Açores – que terá alegadamente, aprovado o sorteio – mas, para já, não foi possível chegar à fala com a responsável pela Divisão de Administração, Passaportes e Licenças.

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