Secretismo da STDM causa problemas à Shun Tak

A Shun Tak Holdings Ltd reconhece que “não consegue obter informação suficiente para efectuar uma avaliação do valor”...

É impossível saber o valor real da STDM, empresa-mãe da operadora de jogo SJM, lamentam os auditores da Shun Tak. Um caso que põe a nu a falta de transparência das sociedades anónimas em Macau, que não têm de divulgar informação financeira detalhada, nem aos próprios accionistas.

A Shun Tak Holdings Ltd reconhece que “não consegue obter informação suficiente para efectuar uma avaliação do valor” da participação que tem na Sociedade de Turismo e Diversões de Macau, S.A. (STDM), a empresa-mãe da Sociedade de Jogos de Macau, S.A. (SJM), uma das seis operadoras de casinos da região. Segundo o relatório financeiro do conglomerado para a primeira metade deste ano, divulgado na semana passada, a auditora PricewaterhouseCoopers diz que este problema cria até dúvidas sobre o valor real da própria Shun Tak.

Este é o primeiro ano em que as empresas registadas em Hong Kong têm de seguir novas regras contabilísticas, anunciadas em 2014, que exigem mais informação sobre investimentos em sociedades anónimas. As novas regras cobrem também as companhias listadas na Bolsa de Valores da região vizinha, como é o caso da Shun Tak.

A direcção liderada por Pansy Ho– também administradora da STDM – já tinha dito anteriormente que “tem vindo a comunicar com a direcção da STDM para solicitar informação financeira”. No entanto, sublinha a Shun Tak, à STDM “não lhe é exigido que prepare ou divulgue informação contabilística ou financeira detalhada aos seus accionistas”. Ou seja, a empresa reconhece que não pode assegurar que o valor da participação que detém na STDM, estimado em 813 milhões de dólares de Hong Kong, seja exacto.

A Shun Tak detém cerca de 11,5 por cento das acções da STDM, a empresa fundada pelo magnata Stanley Ho quando obteve o monopólio do jogo na cidade nos anos 30. Aquando da liberalização do mercado em 2002, o Governo exigiu que as novas concessionárias fossem uma empresa criada de raiz. Foi então que a STDM criou a SJM, uma das seis operadoras de casinos da região. Mais tarde, em 2008, a SJM Holdings Ltd, que detém a totalidade das acções da SJM, foi listada na Bolsa de Valores de Hong Kong. Actualmente, a STDM detém 54,11 por cento da SJM Holdings. Esta participação indirecta no negócio do jogo valeu à Shun Tak na primeira metade deste ano um lucro de 74 milhões de dólares norte-americanos, o que representa uma queda de 32 por cento em relação a igual período de 2017.

Desvio problemático

A PricewaterhouseCoopers disse na sua opinião, incluída no relatório financeiro mas concluída no mês passado, que “os efeitos deste desvio” das novas regras contabilísticas nos resultados financeiros da empresa “não foram determinados”. Já a Comissão de Auditoria – um órgão interno da Shun Tak, liderado pelo contabilista e director independente da empresa Norman Ho Hau Chong – discorda. A comissão defende que o desvio é “compreensível” e que as dúvidas da PricewaterhouseCoopers “não vão ter um impacto” nos resultados da Shun Tak. Ainda assim, o conglomerado disse que “tem vindo a ponderar um método de avaliação apropriado para determinar o valor real” da participação na STDM. “A empresa mantém-se em diálogo com a auditoria”, acrescenta a Shun Tak, para resolver o problema “assim que possível”.

Não é a primeira vez que a falta de transparência da STDM é questionada. Em vários recursos apresentados nos tribunais de Macau ao longo dos anos, Winnie Ho, irmã de Stanley Ho e antiga administradora da STDM, acusou a empresa de lhe negar informação. Segundo Winnie, o irmão teria destruído os registos da STDM para ficar com as acções que ela detinha na empresa. Uma disputa que se arrastou durante décadas e só terminou com a morte de Winnie, confirmada pela família no mês passado.

O problema, reconhece a própria Shun Tak, é que, tendo em conta que a STDM “é uma sociedade anónima criada em Macau, não lhe é exigido que prepare ou divulgue informação contabilística ou financeira detalhada aos seus accionistas, de acordo com a lei de Macau”. No caso de não-accionistas, a legislação é ainda mais restritiva e não permite sequer pedir à Conservatória dos Registos Comercial e de Bens Móveis informação sobre os órgãos sociais de uma sociedade anónima.

Fonte: Ponto Final

   

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