Gang chinês acusado de usura e violência ligados ao jogo em silêncio no julgamento

Arguidos chegaram a estar em prisão preventiva e alguns continuam obrigados a permanecer na residência.

Os seis arguidos de nacionalidade chinesa que foram acusados num caso relacionado com usura, roubo, rapto e associação criminosa, envolvendo empréstimos a compatriotas viciados em jogos de Casino, remeteram-se esta quinta-feira ao silêncio no primeiro dia de julgamento.

Diante do coletivo de juízes, presidido por Sílvia Costa, os quatro homens (Guo Yezhong, Bu Haitao, Sheng Li Shan e Huawei Shen) e duas mulheres (Ye Zhirong e Aihua Sun) optaram por se remeterem ao silêncio sobre os factos constantes na acusação, depois de a intérprete lhe ter transmitido a indicação da magistrada que, pela lei portuguesa, os arguidos gozam dessa prerrogativa, não podendo ser prejudicados por não falarem em audiência de julgamento.

Dado que todos os acusados optaram pelo silêncio e uma vez que nenhum dos advogados levantou questões introdutórias, a sessão de julgamento desta quinta-feira de manhã foi rápida, servindo basicamente para identificar e obter a profissão e morada dos arguidos.

Segundo a acusação, os arguidos quiseram e conseguiram, em 2017, explorar em seu benefício as fragilidades dos frequentadores do Casino de Lisboa, viciados em jogo, e em especial do ofendido Lei Zoang, por meio da concessão de empréstimos avultados de dinheiro a uma taxa de juro de 5% ao dia.

A acusação salienta que os arguidos sabiam que “estavam a aproveitar de uma situação de debilidade da vítima e a obter vantagens patrimoniais indevidas”.

Além de molestarem física e psicologicamente Lei Zedong, o grupo, alegadamente liderado pelo casal formado por Guo Yezhong (cozinheiro de profissão) e Ye Zhirong (empregada de mesa), apoderaram-se do bens que pertenciam ao ofendido.

Os arguidos são ainda acusados de privarem o ofendido Lei Zoang da sua liberdade de movimentos e locomoção, tendo-o deixado de mãos e pés atados, por forma a encetaram uma fuga sem perseguição por parte do ofendido, que denunciou o caso.

“Quiseram e conseguiram forçar o ofendido Lei Zoang a entrar num veículo automóvel contra a sua vontade e, de seguida, conduziram até sua casa, ali o obrigando a permanecer contra a sua vontade, trancado e vigiado, sob a promessa da concretização de males futuros sobre si e a sua família, com o intuito de obterem dele o pagamento de quantias monetárias que bem sabiam que não lhes serem devidos”, refere o despacho de acusação da procuradora-adjunta Daniela D´Evora.

O arguido Bu Haitao identificou-se em tribunal como sendo cozinheiro de profissão, tendo Huawei Shen declarado como última profissão a de guia turístico. Shegn Li Shan, acusado de associação criminosa, usura, roubo agravado, sequestro e rapto, disse ser “trabalhador independente” e, quando instado pela juíza a especificar, acrescentou que, na prática, “ajudava quem precisava de serviços”.

Com exceção da arguida Aihua Sun, os restantes arguidos chegaram a estar em prisão preventiva e alguns continuam obrigados a permanecer na residência. O julgamento deverá prosseguir na tarde desta quinta-feira com a inquirição de duas testemunhas, mas existem dúvidas de que a sessão se concretize devido a dificuldades em notificar as mesmas.

O Ministério Público está representado neste julgamento pela procuradora Cristina Janeiro.

Fonte: Correio da Manhâ

   

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