Investimento de 300 M€ é bandeira para Sonae Turismo e motor para região

O investimento de 300 milhões de euros que a Sonae vai fazer na nova estância turística de Tróia é a bandeira do crescimento do grupo no sector do turismo...

O investimento de 300 milhões de euros que a Sonae vai fazer na nova estância turística de Tróia é a bandeira do crescimento do grupo no sector do turismo e motor para criar emprego no distrito de Setúbal.

Tróia é, para a Sonae, uma «plataforma» de crescimento no turismo, da mesma forma que as madeiras foram para a indústria e os hipermercados para a distribuição, como assumiu em Junho o presidente da Sonae, Belmiro de Azevedo, na assinatura do contrato final de investimento, que demorou oito anos a negociar.

O empresário nortenho tem vindo a defender as potencialidades turísticas do país e a necessidade de se reforçar a aposta neste cluster de desenvolvimento, gerador de «investimento exigente» e estimulador de criação de riqueza e emprego de forma «rápida».

No turismo, a Sonae, um grupo cujos interesses se estendem hoje da indústria ao imobiliário, e de Portugal à África do Sul, detém actualmente uma das maiores agências de viagens do país, a Star, e explora algumas unidades hoteleiras.

Entre estas estão os três hotéis de Tróia, o Porto Palácio, de cinco estrelas, o Aqualuz e o Hotel Golfinho, ambos em Lagos, de acordo com informações oficiais da empresa.

Recentemente, lançou-se no negócio de fitness com a cadeia de ginásios Solinca, e também no de animação, explorando parques temáticos sem Lisboa (centro comercial Colombo) e Cascais.

Com a «renascida» estância de Tróia, cuja construção é quinta-feira simbolicamente lançada com a implosão das duas torres, a Sonae Turismo promove quatro novos hotéis, cuja cedência de exploração vai negociar com cadeias hoteleiras, de preferência portuguesas, como já anunciou Belmiro de Azevedo.

Na primeira fase do projecto, a Sonae será responsável pela promoção de um hotel de cinco estrelas, com 300 quartos, e de três aparthotéis de quatro estrelas.

O grupo Amorim, a quem a Sonae vendeu a concessão de jogo da estância, vai construir um Hotel/Casino de cinco estrelas e um centro de congressos, a concluir até 2007, num investimento paralelo que deverá ascender a 80 milhões de euros.

Para este grupo também nortenho, que tem na cortiça o seu principal negócio, será o segundo casino detido directamente, depois da Figueira da Foz.

Tem ainda um terço do capital da Estoril Sol, que explora os casinos do Estoril e Póvoa do Varzim.

Além do casino e hotéis, Tróia vai receber ainda uma marina, um parque de recreio aquático, um centro desportivo e um centro equestre, segundo prevê o contrato de investimento.

De acordo com a Sonae, o projecto permitirá a criação de 2.500 postos de trabalho directos e perto de 10.000 indirectos.

O impacto será maior nos concelhos de Grândola, Alcácer do Sal e Setúbal, onde se espera um aumento conjunto do emprego na ordem de 8%.

O Valor Acrescentado Bruto (VAB), criação de riqueza, assegurado pelo projecto, ascende a 37,4 milhões de euros, segundo os promotores.

Numa área total de 440 hectares, cujo desenvolvimento só estará concluído em 2011, estão previstas mais oito zonas, nomeadamente uma de moradias turísticas, e um hotel de cinco estrelas, junto ao antigo parque de campismo de Tróia.

A península de Tróia situa-se entre a Reserva Natural do Estuário do Sado e o Parque Natural da Serra da Arrábida.

Até chegar a esta fase, a Sonae, quatro governos e os trabalhadores e credores da Torralta tiveram de resolver uma delicada questão financeira.

Segundo afirmava esta semana em artigo no Diário Económico o professor universitário Nuno Gaioso Ribeiro, que colaborou no projecto de viabilização com o então ministro da Economia Augusto Mateus, a Torralta tinha em 1995 capitais próprios negativos de 40 milhões de euros.

As dívidas – ao Estado e pequenos credores – orçavam em 200 milhões de euros e a empresa estava envolvida em mais de mil conflitos judiciais, depois de praticamente uma década de quase abandono, fuga de turistas, comerciantes e degradação de infra- estruturas.

A situação financeira da Torralta só ficou resolvida no início deste ano, através de uma «operação harmónio», redução do capital social da empresa em 76,5 milhões de euros e posterior aumento para 20,6 milhões.

A Torralta, que tem como principal accionista a Imoareia, do grupo Sonae, ficou ainda autorizada a aumentar o seu capital até 100 milhões de euros, de forma a permitir o arranque imediato das obras.

Diário Digital / Lusa

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