Alguém terá de pagar a conta de todos aqueles minutos de publicidade televisiva – os tais jovens animadíssimos, que não deverão ficar tão animados quanto isso quando fazem contas às suas perdas.
Depois de uns quantos anos mais afastado dessas lides, recentemente voltei a ver um par de jogos de futebol pela televisão. Devo dizer que foi o suficiente para rapidamente perder outra vez a vontade:a facilidade com que os árbitros portugueses apontam para a marca de penálti e determinam o rumo de um jogo, fazendo a balança pender para um lado ou para o outro (normalmente para o da equipa mais forte), fez-me perceber que continua a haver bons motivos para me manter alheado desse mundo.
Mas se isso, infelizmente, não constituiu grande surpresa, houve outro aspeto que me deixou pouco menos que horrorizado. Refiro-me à quantidade verdadeiramente esmagadora de anúncios a sites de apostas nos intervalos.
Surpreendeu-me a quantidade de casas dedicadas a esse ofício, quase todas com nomes parecidos (betano, bwin, betclic e sei lá que mais, a que se juntam o placard e ainda casinos).
Em todos esses anúncios vemos jovens descontraídos, sorridentes, a celebrar efusivamente. Parece tudo muito bonito: cachecóis coloridos, bebidas na mão, grupos de amigos em festejos animados.
Mas a realidade há de ser bem diferente. Alguém terá de pagar a conta de todos aqueles minutos de publicidade televisiva – os tais jovens animadíssimos, que não deverão ficar tão animados quanto isso quando fazem contas às suas perdas.
Recordo-me bem de quando os carros e cartazes da F1 tiveram de deixar de exibir anúncios a marcas de cigarros, pois toda a gente sabia que o tabaco era prejudicial à saúde e não podia ser apresentado como algo glamoroso.
Estas casas de apostas são autênticos casinos abertos 24h por dia, ao alcance de um clique ou de um toque no smartphone. Mais: duvido que haja um controlo eficiente da idade para entrar. Ao ver todos aqueles anúncios no intervalo do futebol, não tive grandes dúvidas sobre a quem se destinavam. E pareceu-me pouco honesto andar tanta gente a lucrar à custa disso. Incluindo, claro, o próprio Estado.
Fonte: Jornal I