Quanto é que apostas?

Um ano passado desde a emissão da primeira licença de jogo online, onde apostam os portugueses? Entre o desporto e os jogos de fortuna ou azar, vale a pena conhecer as preferências dos mais de 523 mil jogadores registados. O mercado continua a crescer

Um ano passado desde a emissão da primeira licença de jogo online, onde apostam os portugueses? Entre o desporto e os jogos de fortuna ou azar, vale a pena conhecer as preferências dos mais de 523 mil jogadores registados. O mercado continua a crescer.

Quanto é que apostas?” A pergunta é feita em tom de desafio entre amigos, quando as opiniões sobre determinado tema se dividem e cada um quer fazer valer a sua visão. Por vezes, estas apostas não dão em nada, mas isso apenas se aplica na esfera da amizade. No jogo online não é assim. As apostas valem muito e são cada vez mais os portugueses a utilizar as plataformas digitais para as fazerem. O número de jogadores registados já ultrapassa os 523 mil e promete continuar a aumentar. Chegou a pensar-se que o nascimento e crescimento deste sector podia prejudicar os jogos sociais — explorados pelo Departamento de Jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) — e iria afetar o negócio dos casinos físicos, mas afinal parece haver mercado para todos. Que se lancem os dados (virtuais) e se apontem os resultados.

A exploração de apostas à cota online, com licenças emitidas em Portugal, é uma realidade nova no panorama nacional, e foi apenas há um ano que começaram a surgir as primeiras licenças. Ao longo de 2016 foram atribuídas cinco — duas licenças para exploração de apostas desportivas à cota (uma em maio e outra em julho) e três licenças para exploração de jogos de fortuna ou azar (uma em julho, uma em outubro e a terceira em novembro) —, às quais se juntou uma sexta (do segundo grupo) no primeiro trimestre de 2017. Até ao momento, são apenas quatro as empresas a operar em Portugal, com a Pokerstars e a Estoril-Sol (agora conhecida por ESC Online) a atuarem apenas nos comummente chamados de jogos de casino, ao passo que a Betclic e a Bet.pt estão presentes nos dois modelos de negócio.

ConcentracaoNa verdade, os portugueses apostam sobretudo em desportos (as duas empresas licenciadas para explorar apostas desportivas à cota registaram uma receita bruta de 57,6 milhões de euros), e o futebol continua a ser o desporto-rei. É em torno desta modalidade que se regista o maior número de apostas (74,7%), seguindo-se depois o ténis (15,2%) e o basquetebol (7%). Com as quatro linhas na cabeça, os jogadores apostaram sobretudo na I Liga portuguesa (9,5%), na espanhola La Liga (6,3%), na inglesa Premier League (6,1%), na Liga dos Campeões e no Euro-2016 (ambas com 5%). Juntas, as cinco competições representam cerca de “um terço do total das apostas na modalidade futebol”.

Se nos desportos a sorte pode ou não estar do lado de quem aposta, o mesmo acontece quando se trata de apostar em jogos de fortuna e azar. No fundo, é como ir ao casino, mas com uma oferta mais limitada. Por enquanto, é possível jogar bacará ponto e banca/bacará ponto e banca Macau, blackjack/21, jogos de máquinas, póquer em modo de torneio, póquer não bancado (nas variantes Omaha e Hold’em), roleta americana e roleta francesa, mas isso pode mudar entretanto. De acordo com a entidade, é expectável que se assista ainda a algumas mexidas na oferta, com “uma maior variedade e diversidade da oferta” a contribuírem “para um maior interesse por parte dos jogadores”. O destaque vai para jogos como o bingo e para as apostas hípicas, “tipo e categoria para os quais ainda não foi emitida qualquer licença”.

O JOGADOR PORTUGUÊS

Embora o mercado nacional seja uno, o interesse da população pelo jogo online é diferente consoante os distritos, e é no litoral que se concentra uma maior percentagem de jogadores registados. É no Porto e em Lisboa que mais se joga (21,5% e 19,8%, respetivamente), seguindo-se Braga (9,9%). Juntos, os três distritos representam mais de metade dos apostadores, contrastando com o distrito de Portalegre (com uma quota de apenas 1%). Num mercado inteiramente digital, a diferença também se faz pelas faixas etárias. Os mais velhos (com idade superior a 65 anos) representam apenas 0,7% do universo de apostadores, com a faixa abaixo (entre os 55 e os 64 anos) a não ir além dos 2% e a anterior (45-54) a situar-se nos 6,8% Analisando os dados disponíveis até agora, é entre os 25 e os 34 anos que mais se joga (39,9%), seguindo-se a faixa etária mais baixa — os jogos são proibidos a menores de 18 anos — (com 29,3%) e os que têm idades compreendidas entre 35 e 44 anos (21,3%). A entrada de um player conhecido por todos pode ajudar a baralhar as contas.

Num futuro próximo, também a Santa Casa — que até ao momento apenas tem presença online através dos seus jogos sociais, que não fazem parte do sector do jogo online — vai entrar no mundo das apostas em rede (que em nada se assemelham à oferta existente, que apenas replica no digital a oferta física). O consórcio SAS — Sociedade de Apostas Sociais, S.A., que possibilita a entrada da Misericórdia de Lisboa neste mercado, foi criado em janeiro deste ano e conta ainda com a União das Misericórdias Portuguesas, a Fundação Montepio Geral, a Cáritas Portuguesa e a ACAPO (Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal) na sua estrutura acionista.

Há jogadores que fazem apostas certeiras e empresas a lucrar com este novo mercado, mas o grande campeão das apostas online é mesmo o Estado. Desde que a primeira licença de jogo online foi emitida, já foram arrecadados mais de 40 milhões de euros em Imposto Especial de Jogo Online (IEJO). De acordo com o SRIJ, “durante o ano de 2016 (maio a dezembro) o valor do IEJO ascendeu a 30,9 milhões de euros e no primeiro trimestre de 2017 a 9,2 milhões de euros”, e espera-se que este seja também um bom ano para o sector. O entusiasmo é grande e vai além-fronteiras (apesar de alguma cautela demonstrada no documento divulgado pelo SRIJ)

Quanto ao crescimento do sector, o relatório “Atividade do Jogo Online em Portugal: o Mercado Regulado”, do Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos (SRIJ) do Turismo de Portugal, expressa que já se assiste a uma estabilização no número de “jogadores inscritos em 2017 face aos registados em 2016”. Mas reconhece que esta é uma análise que “só poderá ser feita com rigor quando for possível avaliar um período temporal mais longo”.

O mercado europeu é considerado o mais desenvolvido do mundo no que respeita ao jogo online — representa 47,6% do global, muito à frente da Ásia (30,3%) —, mesmo que as regras difiram entre os países. Os últimos números da consultora H2 Gambling Capital, divulgados pela European Gambling & Betting Association, apontam para um futuro risonho no quadro europeu: a receita bruta deverá chegar aos 24,9 mil milhões de euros já em 2020. Parece ser uma aposta ganha.

Fonte: Expresso

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