Nunca se gastou tanto em jogo em Portugal como no último ano

Principal impulso veio dos jogos sociais e apostas online, mas casinos e bingos também subiram em 2017. Houve cinco prémios de um milhão de euros por reclamar.

Principal impulso veio dos jogos sociais e apostas online, mas casinos e bingos também subiram em 2017. Houve cinco prémios de um milhão de euros por reclamar.

O jogo movimentou 3519 milhões de euros no ano passado em Portugal, valor que representa um aumento de 11% face a 2016 e uma nova fasquia, entre raspadinhas, máquinas de casino e apostas desportivas online.

O maior impulso, de acordo com os dados recolhidos pelo PÚBLICO, veio dos jogos sociais explorados pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), cujos resultados foram divulgados esta sexta-feira.

De acordo com o relatório e contas da instituição, liderada por Edmundo Martinho, as apostas subiram 9,1% (equivalente a 253 milhões) e superaram pela primeira vez a barreira dos 3000 milhões (3028 milhões), batendo assim um novo recorde. A maior subida veio do Placard (mais 30%, para 502 milhões), que se assumiu como o terceiro maior jogo social em termos de receitas brutas. Quanto à raspadinha, mantém-se no topo, com as apostas a subirem 9,4% para 1487 milhões de euros – perto de 50% do total dos jogos explorados pela SCML.

Em terceiro lugar está o Euromilhões, que entrou num novo ciclo quando ficou associado ao M1lhão no final de 2016. De acordo com a SCML, esta nova categoria veio alavancar as vendas do Euromilhões, que já foi a principal fonte de receitas. “As vendas conjuntas M1lhão e Euromilhões aumentaram 5,1% em 2017, quando a variação de vendas do Euromilhões tinha vindo a ser sucessivamente negativa nos  anos”, refere a SCML. Quanto aos outros jogos sociais, sofreram todos variações negativas.

No seu relatório e contas, esta instituição realça que “a evolução negativa das vendas de alguns jogos insere-se num contexto de ciclo de vida que, na maioria dos casos, coincide com fases de maturidade que em simultâneo se cruzam com a oferta de novos produtos, mais apelativos”. A “diversificação e rejuvenescimento da oferta”, diz a SCML, tem “permitido angariar e fidelizar novos apostadores, com perfis que valorizam aspectos lúdicos e de entretenimento, para além do factor prémio”.

12 milhões por reclamar

Em termos de prémios, foram distribuídos 1838 milhões de euros pela SCML no ano passado. No entanto, houve 13 milhões de euros que ficaram por atribuir, o que representa uma subida expressiva de quase 50% face ao ano anterior. A maioria são pequenos prémios (abaixo de cinco mil euros), mas, segundo dados da SCML, ficaram também por reclamar cinco prémios de um milhão de euros cada um, ligados aos M1lhão.

As vendas líquidas dos jogos sociais chegaram aos 805 milhões de euros, com um resultado líquido de 729 milhões. Deste valor, a SCML distribuiu 718 milhões pelos beneficiários dos jogos sociais do Estado.

Um ano de apostas online

O jogo online veio também dar um forte contributo para as contas das apostas legalizadas em Portugal, já que foi o primeiro ano completo em termos de receitas (a primeira licença foi atribuída em Maio de 2016). De acordo com os dados dos Serviços de Regulação e Inspecção de Jogos (SRIJ), ligados ao Turismo de Portugal, o valor da actividade de jogos e apostas online, explorado por sete entidades (com onze licenças, entre apostas desportivas à cota e jogos de fortuna e azar), gerou 122,5 milhões de euros. Deste valor, a maioria cabe às apostas desportivas, onde se destaca o futebol (77% do total), com 68,1 milhões de euros. Aos jogos de fortuna e azar cabem os outros 54,4 milhões, com as máquinas virtuais em destaque (45%).

Segundo os SRIJ, até ao final do ano passado havia cerca de 800 mil registos de jogadores, podendo a mesma pessoa estar inscrita em várias entidades. Só no quarto trimestre houve 132 mil novos registos.

Geograficamente, o destaque vai para os distritos do Porto (22% do total) e de Lisboa (19,5%). No final do ano passado, dizem os SRIJ, “encontravam-se auto excluídos da prática de jogos e apostas online 17,6 mil jogadores, valor superior em 4,6 mil face ao registado no final do terceiro trimestre”.

Casinos a recuperar

O grupo Estoril-Sol, dono dos casinos de Lisboa, do Estoril e da Póvoa do Varzim, é uma das entidades presentes no jogo online e, de acordo com o seu relatório e contas, este segmento já vale 9% das suas receitas totais. Em 2017, diz o grupo, o encaixe com o jogo chegou aos 210,7 milhões de euros, mais 11,5% do que em 2016. O Casino de Lisboa continua a ser o que mais dinheiro gera, chegando aos 83,6 milhões, seguindo-se o do Estoril, que atingiu os 63,6 milhões. Já a Póvoa ficou-se pelos 44,5 milhões, e foi o único que apresentou um resultado líquido negativo (de nove milhões), quando o online até deu um impulso positivo de 6,4 milhões (superando o Casino do Estoril, que gerou um milhão de euros de lucro). Ao todo, o grupo, que domina o segmento dos casinos físicos com 62% do mercado, teve um lucro de 10,6 milhões de euros (contra 6,5 milhões em 2016).

Olhando para o negócio global dos casinos em Portugal (incluindo os do Algarve, Espinho, Chaves, Figueira ou Madeira) este gerou 311 milhões de euros em apostas, mais 5% do que no ano anterior. Mesmo assim, ainda não recuperou totalmente das perdas registadas no passado recente, e que começou a inverter em 2015 (em 2008, por exemplo, as receitas brutas foram de 381 milhões).

As máquinas continuam a dominar a preferência dos apostadores (locais e turistas), seguindo-se, a larga distância, a roleta.

Os dados dos SRIJ mostram também uma subida nas salas de bingo, com o sector a crescer 15% para os 57 milhões de euros. Mesmo assim, este tipo de jogo representa apenas 1,6% do total do mercado em Portugal, dominado pela SCML (com um peso de 86%).

Fonte: Público

 

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