Aumento de reclamações sobre empresas de jogos de fortuna ou azar no Reino Unido.

As 8.266 reclamações em 2018 representam um aumento significativo de quase 5.000% em comparação com as 169 registadas em 2013.

De acordo com um novo relatório, o regulador de jogo do Reino Unido recebeu mais de 8.000 reclamações sobre empresas de jogos de fortuna ou azar no ano passado.

Dados da UK Gambling Commission ( UKGC ) mostram que houve 8.266 reclamações sobre as empresas de jogos em 2018. Os números recorde foram obtidos pela BBC Panorama e indicam um aumento de quase 5000% nos últimos cinco anos.

As 8.266 reclamações em 2018 representam um aumento significativo de quase 5.000% em comparação com as 169 registadas em 2013,  com os jogadores problemáticos alegando que os corretores continuam a convencê-los a apostar mesmo depois de terem pedido para serem deixados de fora das mailing lists.

As 8.266 reclamações apresentadas à UKGC em 2018 incluíram 2.135 alegações de que as empresas de jogo e apostas falharam as suas responsabilidades sociais com os clientes, bem como 2.227 casos de “não pagamento”.

Cerca de 109 pessoas disseram que se opuseram ao marketing não solicitado, enquanto 25 reclamaram que um anúncio “atraía as crianças”.

O número foi o maior já registado desde que o mandato da Gambling Commission foi expandido para incluir a atividade online em novembro de 2014 – coincidindo com um grande aumento no número de casos relatados pelos clientes.

Números divulgados à BBC Panorama sob leis de liberdade de informação mostram que houve 273 reclamações em 2011, 228 em 2012 e 169 em 2013, antes da Gambling Commission começar a regular as apostas online.

Em 2015, o regulador lidou com 4.291 reclamações.

Aumentaram novamente em 2016 para cerca de 8.100, antes de cair para 6.224 no ano de 2017.

Os números mostram que de 1 de janeiro a 8 de julho deste ano foram feitas 5.587 reclamações.

As empresas de jogos de fortuna ou azar foram no passado, e continuam a ser no presente, alvo de críticas repetidas à medida que chegam ao conhecimento público comportamentos que causam sérios danos aos consumidores de produtos de jogo, por vezes irreparáveis.

Um jogador problemático que perdeu 125.000 libras com os casinos online LeoVegas e Casumo acusou-os de ignorarem sinais óbvios do seu vício, oferecendo os seus bónus para continuar a apostar. O queixoso, agora em tratamento de dependência, uma vez perdeu £ 54.000 durante uma madrugada.

“Estas casas de apostas têm algoritmos onde o cliente que joga muito é considerado um VIP ou enviam-lhe um email de bónus”, disse . “Também podem usá-los para evitar o problema do jogo, que é o que a Comissão diz que eles deveriam fazer.”

Noutro caso, a Comissão está a investigar alegações de que o LeoVegas aceitou £ 20.000 de um jogador problemático que roubou o dinheiro da sua mãe e depois foi bombardeado com emails incentivando-o a continuar a apostar.

No mês passado, o regulador impôs uma multa de 5,9 milhões de libras à Ladbrokes Coral , uma das maiores de sempre, por “falhas sistémicas” da empresa para proteger jogadores problemáticos que perderam grandes quantidades de dinheiro.

Um limite de £ 2 em FOBTs foi implementado há quatro meses como parte dos esforços para reduzir os danos relacionados com o jogo.

Neil McArthur, diretor executivo da Gambling Commission, disse: “Estamos a pressionar o setor a conhecer os seus clientes, este aumento de reclamações, na verdade, possivelmente é um bom sinal porque sugere que os consumidores estão a exigir mais dos operadores de jogo e apostas. E eu encorajo-os a continuar a fazer isso ”.

Operadores do Reino Unido estabelecerão comité de jogo responsável

Cinco das maiores empresas de jogo e apostas do Reino Unido anunciaram a criação de um novo comité na semana passada.

Estas empresas comprometeram-se com uma série de medidas para lidar com o problema do jogo, incluindo um grande aumento no financiamento para o combate contra o vício, após a pressão do governo do Reino Unido.

As empresas – Bet365, Flutter, proprietário da Paddy Power, GVC, Ladbrokes, Sky Betting & Gaming e William Hill – concordaram com as propostas para criar um ambiente de jogo mais seguro após discussões com o Department for Digital, Culture, Media and Sport.

As empresas de apostas reforçariam significativamente o seu apoio financeiro para jogos de fortuna ou azar mais seguros, aumentando o seu compromisso de 0,1% do seu rendimento bruto de jogo para 1% até 2023.

Isso resultaria em cerca de 60 milhões de libras em apoio financeiro das empresas em 2023, e permaneceria nesse nível para o futuro.

No entanto, os críticos dizem que não é suficiente para enfrentar o problema do jogo de forma eficaz e rotularam a iniciativa dos grandes operadores de “suborno” para afastar a regulamentação mais rígida do setor. Continua a pressão de alguns políticos, instituições de caridade e campanhas de outros grupos para um imposto obrigatório .

O ex-ministro do desporto, Mims Davies, foi criticado em abril por dizer que uma cobrança obrigatória não é necessária.

A indústria cresceu rapidamente desde que o governo relaxou as restrições sobre apostas e publicidade em 2007. Agora, os apostadores perdem quase o dobro para as empresas de apostas do que perdiam há uma década. No ano passado, os apostadores perderam um recorde de £ 14,5 mil milhões.

De acordo com um artigo de académicos no British Medical Journal, publicado em maio, há agora 33 milhões de contas ativas de apostas online na Grã-Bretanha, enquanto a prevalência de apostas online aumentou de menos de 1% em 1999 para 9% em 2016.

O regulador tem o poder de multar ou impor outras sanções a empresas que não cumpram suas licenças de jogos de azar, embora não seja capaz de resolver reclamações individuais.

Um porta-voz da Comissão disse que o aumento no número de reclamações estava relacionado com o seu mandato expandido.

O porta-voz acrescentou: “Nós queremos ativamente ver os consumidores mais exigentes com as empresas de jogos de fortuna ou azar e estamos a trabalhar duro para que a indústria melhore e coloque a proteção dos clientes no centro da sua abordagem de negócios. A indústria precisa melhorar e deve fazê-lo.”

“Os consumidores contactam-nos por muitas razões e, embora não tenhamos poderes para resolver queixas individuais, agimos de forma a ajudar os consumidores como um coletivo e com o máximo impacto para a maior quantidade de pessoas. Em alguns casos, usamos as informações que os próprios consumidores compartilham connosco para impor aos operadores a elevação de padrões para todos os seus clientes “.

“Somos absolutamente claros com as pessoas mais experientes da indústria de jogos de azar quando dizemos que esperamos que protejam os seus clientes. Onde ficarem aquém disso, agiremos.”

Há cerca de 23 milhões de pessoas na Grã-Bretanha que jogam, com 10,5 milhões de pessoas que apostam online.

Fontes e consultas:
The Guardian
BBC News
Focus Gaming News
yogonet
CARE (Christian Action Research and Education)

Observatório do Jogo – Portugal

   

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